terça-feira, 15 de novembro de 2016

Como presentear - uma arte desaprendida


Imagem: Pinterest/edição


Nossa amiga Wikipédia nos disse isso aqui:
"Presente é tudo aquilo que se oferece, de forma gratuita, a outro indivíduo com a intenção de fazer este mais feliz, em sinal de atençãoconfiança, amor ou amizade e que seja de forma espontânea.

Pode ser uma transferência em dinheiro ou objetos, de qualquer tipovalor ou tamanho, desde que de forma gratuita, e sem requerer algo de retorno. Convencionou-se presentear em datas comemorativas como aniversários, e festividades religiosas como o natal."

Vamos do começo? Presente deve ser oferecido gratuitamente e sem esperar retorno. Aí a gente pensa em algumas ocasiões como amigos secretos/ocultos do trabalho e datas comemorativas. 
Alguém que goste desses eventos pode até discordar, mas na maioria das vezes há uma insatisfação envolvida, um receio de oferecer algo bom e receber algo que considere ruim em troca. Troca? Mas onde fica o "sem requerer algo de retorno"? Somos sugados para dentro de uma convenção em que ninguém fica realmente feliz com o que ganhou e nem se importa muito com o que deu. Baixamos o nível, relativizamos um ato tão cheio de conteúdo porque... por que, mesmo?
Isso sem falar na implicação trazida no final da primeira frase - "de forma espontânea". 
Ver-se constrangido a presentear alguém é no mínimo bizarro. Se a intenção é fazer o presenteado se sentir mais feliz e receber um sinal de atenção, confiança, amor ou amizade, como isso é possível com aquele colega "da firma" que trabalha em outro setor e com quem você só cruza no corredor de vez em quando?
Passamos a encontrar cada vez mais opções de presentes neutros. Daqueles que servem pra aniversário, bodas, Natal, amigo secreto/oculto, qualquer comemoração. Criaram-se termos assustadores como "qualquer coisinha tá bom", "só uma lembrancinha", "só pra dizer".
É triste constatar que esse tipo de pensamento começou a se alastrar por outras esferas, como entre família e amigos, esses entes queridos que deveriam ser alvo na nossa atenção, carinho e cuidado, inclusive na hora de serem presenteados.
Um pensamento meio comum é: "ah, mas fulano nem liga pra essas coisas". 
Percebe que não tem a ver com o receptor mas com o doador? O objetivo é " fazer (o outro) feliz, em sinal de atençãoconfiança, amor ou amizade". É o seu sinal, é aquilo que você tem a oferecer para o outro, independente de como ele vai reagir. Isso tem mais a ver com quem a gente é e com o que a gente se preocupa, com os detalhes que dão cor e tempero à nossa vida.
Tem a ver com prestar atenção, conhecer quem se ama e com quem se convive, perceber os detalhes, os gostos e preferências e usar isso de forma a surpreender aquela pessoa. Exige tempo e observação.
Quanto significado cabe num objeto? Como é possível que um bibelô furreca evoque tantas lembranças compartilhadas? E um mimo caro pode denotar a importância de uma vida ou só reflete o ego de quem o oferece? Não é o preço, é o valor. É sobre o que é relevante, que mostra que aquele presente foi pensado para aquela pessoa específica, com o objetivo de agradá-la, independente de quanto dinheiro saiu do seu bolso pra isso. Às vezes pode ser um encontro, a presença.
Isso quer dizer que você pode presentear em datas comemorativas, mas deixar esse ato tão agregador para dias pré estabelecidos é apagar o brilho dos dias comuns, do inesperado, é perder oportunidades de reforçar laços e demonstrar sentimentos.
Hoje (nosso presente - ó o trocadilho infame) é um bom dia pra começar/recomeçar o exercício dessa arte.


PS: Sim, o Natal está chegando e, sim, a maioria vai presentear alguém. 
Que tal visitar a tag Sexta-Feira Artesanal, aqui no blog e encontrar várias dicas bacanas e originais?


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