quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Recuse imitações

Já faz um tempo que a gente queria escrever sobre o que vamos escrever hoje e uma mensagem que acabamos de receber na loja puxou o gatilho. Vamos lá.
Na época em que a ScolAstika'S era ainda um sonho, recebemos nossa primeira encomenda. Um porta-cartas. Nunca antes na história desse país a gente tinha feito algo parecido. A Paula (beijo, Paula!) nos enviou três imagens da net; eram peças em mdf e cada uma tinha uma característica que ela queria... em tecido! Nos disse as cores, tinha que ter os dois gatos dela e partiu! Façam acontecer!
O resultado está aí embaixo (desculpem as fotos toscas, foram bem improvisadas, apenas para registro):



No dia da entrega pudemos ver a satisfação nos olhos dela; conseguimos! A sensação de missão cumprida é muito gratificante. Ela ainda nos enviou um email agradecendo e confirmando que era exatamente o que ela queria.
O tempo passou. Abrimos a loja. Recebemos nossa primeira encomenda "oficial".
Alguém queria um produto "igualzinho" ao de uma artesã (que admiramos muito). Respondi que era possível seguir o mesmo modelo, porém existem coisas que não podem ser reproduzidas, porque são o toque pessoal de quem o faz. Perdemos a encomenda.
Meses depois, uma mensagem: podem reproduzir essa peça? Podemos. Somos gratas pelo dom que temos de olhar para algo e saber como se faz aquilo (acredito que muita gente neste mundo também compartilhe disso). Estamos ainda no começo e, por mais que sonhos sejam nosso combustível, temos nossas contas a pagar, o que nos leva a uma questão muito simples: precisamos de dinheiro. Topamos. O cliente não retornou nosso email.
Segue a vida. Mensagem inbox hoje de manhã: "podem fazer os personagens da foto iguaizinhos?". De novo, podemos. Só que naquela vida que seguiu ali atrás, tomamos consciência de algumas coisas:

*Não copiamos nada. Alguns dos itens da nossa loja podem parecer com outros por aí (não é possível inventar a roda todos os dias), mas são nossos. Nossa marca está neles, nossas digitais ficam no meio deles. Entendemos que as pessoas talvez gostem do nosso acabamento, percebam o capricho com que trabalhamos e queiram isso para si, em forma de algo que viram, mas mais do que técnicas bem executadas, prezamos por originalidade. 

*Não usamos marcas registradas como inspiração. Ou seja, não reproduzimos personagens famosos, ou de filmes etc. Não queremos fazer arremedos de Mônicas, Meninas Superpoderosas ou Backyardigans em nossos produtos infantis. Pensamos na seção para os pequenos porque cansamos de ver sapatos rosa chiclete com princesas da Disney para meninas ou camisetas de super heróis para meninos. Existe um público para isso e existe um mercado que supre essa necessidade. Mas existem pessoas como nós que desejam outras coisas, artigos que muitas vezes são difíceis de encontrar. Estamos fazendo nossa parte.

(Aqui, uma dica pra quem cansou dos jogos de cama de personagens: https://www.facebook.com/margaridabebe?fref=ts. Não, não recebemos um centavo para divulgar, somos fã dessa loja.)
Assim, queremos apenas manifestar nossa essência: fazemos produtos diferentes para pessoas que querem coisas diferentes. A alegria de fazer uma peça que encanta e saber que ela saiu da nossa cabeça é o que nos move. Copiar não traz isso; não instiga, talvez nos desafie tecnicamente, mas criativamente deixa a desejar. 
Inspiração a gente encontra em qualquer lugar, quando menos se espera, até. 
Como já dissemos alguns posts atrás, trabalhei (eu, Gilmara) em banco por vários anos. Precisei vender produtos nos quais não acreditava, mas o salário estava na conta no dia marcado. Não vou repetir isso. O que mais queremos é que as pessoas enxerguem no nosso trabalho algo que lhes toque o coração, em que o dinheiro seja apenas o que é: dinheiro. E ele não compra felicidade.






quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Você compra de quem faz?

"Lógico! - você dirá - alguém fez este produto que estou comprando, não é?"
Bem, sim. Alguém trabalhou para que sua compra fosse possível, mas você sabe quem foi? Sabe quem pensou nesse objeto ou serviço, quem trouxe ele até você? Sua origem, se ele agride o meio ambiente, se a mão de obra empregada é legal e regulamentada? Isso te importa? 
O movimento Compro de Quem Faz (de quem somos adeptas, claro) visa a valorização da produção local, feita por artesãos que se preocupam com a qualidade e a sustentabilidade de suas obras. Fortalecer o consumo consciente, dar oportunidade a pequenos produtores, humanizar o comércio e estreitar relações também são lemas dos fundadores.
Em sua página no Facebook (https://www.facebook.com/comprodequemfaz), lançaram hoje a série "+de quem faz", com o objetivo de reunir depoimentos dos participantes. Óbvio que enviamos o nosso, que compartilhamos aqui:

"Trabalhar com as mãos é antes trabalhar com a cabeça. É ter uma ideia e conseguir torná-la real. Às vezes funciona de cara, outras vezes não. De vez em quando é necessário colocar a intenção na prateleira e esperar; lá na frente aquele projeto ressuscita com mais sentido e chega ao mundo real. 
A atividade de criar algo é de extrema satisfação. Toda a imaginação, as formas, cores e intenção de uma peça, ao se materializar no fim de horas de trabalho gera a sensação de dever cumprido, de descoberta de capacidades e superação de desafios. 
O privilégio de trazer à luz a sua própria ideia e não a de terceiros possibilita colocar em cada trabalho um pouco de si mesmo, sem intermediários, sem travas. Proporciona uma identificação com pessoas até então desconhecidas, que olham o resultado e dizem: "Nossa, era isso que eu procurava e nem sabia!" ou mesmo "Nunca tinha pensado nisso; que bacana!"
A reação positiva provocada por algo idealizado e produzido por você é uma recompensa que não se pode mensurar. E reações negativas também podem contribuir para o aperfeiçoamento  ou para a perseverança, dependendo da fonte.
E vamos sonhando com mais gente que entenda todo esse processo, que diga Compro de Quem Faz por valorizar a porção humana que vai dentro de cada embalagem."






segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Cara de quem?

DeviantArt

Muita gente já passou por isso: "Você é a cara da sua mãe (ou do pai)!" ou "Como você é parecida (o) com aquela atriz (ou ator)..." Sim, todos temos semelhanças com alguém do mesmo ramo genético e até com um estranho distante quando se trata de feições ou traços de personalidade.
E quanto as roupas que usamos? E ao modo como decoramos nossa casa? Será que também herdamos preferências ou escolhemos caminhos diferentes dos padrões com os quais passamos a infância?
Acreditamos que um pouco dos dois. Até porque alguns tecidos, cortes, móveis e acabamentos de épocas passadas não sobreviveram aos nossos dias, enquanto muitos outros surgiram, apresentando opções variadas, para nosso agrado (ou desagrado).
Muitas das nossas escolhas se baseiam naquilo que nos é familiar; outras vão pelo caminho da novidade e do rompimento com o passado.
A roupa que você veste é sua forma de expressão, algo com o qual se sente bem ou porque está na última moda (mesmo que não funcione e te faça sentir uma marmota)?
A forma como você decora sua casa é ditada pelo pensamento "o que as visitas vão pensar?" ou "preciso ter uma casa como a que estava na revista do último mês..." ?
Revistas de moda e decoração deveriam funcionar como uma vitrine, um self-service onde se pode escolher livremente e não uma dieta rígida feita pelo nutricionista.
Um dos lemas que levamos na vida e que se reflete na nossa loja é originalidade. E não falamos de inventar a roda ou andar por aí com uma cesta de frutas na cabeça. Só a noção que não precisamos ser iguais aos outros por medo do que vão pensar, insegurança ou vergonha. Desistir do que se gosta porque não é popular mata a criatividade, sufoca a personalidade que é única em cada um e nos torna uniformizados, quase sempre num padrão oco e sem autenticidade.
Já ouviu, ou quem sabe já disse: "ah, isso é lindo, mas não tenho coragem de usar?" Se não combina com o seu gosto e não te deixa confortável, ok. Se é o medo do pensamento alheio que grita por cima do ombro, então talvez esteja na hora de tapar os ouvidos e combinar aquela blusa roxa escondida no armário e finalmente pendurar aquele quadro que te disseram que era cafona mas que te faz sorrir quando olha pra ele.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Abre a porta, Mariquinha! (Ou quem somos)

No caso a Mariquinha é minha mãe. Ela não vai gostar nada de saber que foi colocada nesse post. Tímida até não poder mais; a timidez só perde em tamanho pra braveza e, lendo isso, ela ficou brava. Mesmo.
Mas isso é supérfluo; tenho a melhor mãe do mundo. Pra mim, tá? A sua é melhor pra você e a do Juquinha é a melhor pra ele. É assim que funciona.
Agora, pra que botar a mãe no meio? Bem, porque no caso ela é o começo. Costura que é uma beleza. Fez meu vestido de noiva, pra você ter uma ideia. Trabalhou a vida toda em escola pública, sonhando com o dia de viver entre tecidos, linhas, agulhas e aviamentos. E teve que esperar uma filha crescer (mas não muito!), a própria mãe descansar (minha avó faleceu há quase 5 anos, depois de ser cuidada por ela durante 8 anos) e a aposentadoria chegar para finalmente estar disponível para a criatividade. 
Nesse meio tempo, esta que vos escreve fez o que podia: passou num concurso público e se enfurnou por 8 anos numa das maiores instituições financeiras do país. Consegui o capital necessário, me despedi dos colegas, passei pela porta e abrimos a ScolAstika'S. Hein? Que raio de nome é esse? Não tinha nada mais fácil? Tinha, mas o que vem fácil vai fácil... Esclarecendo: o nome dela é Maria Escolastica. Entendeu?
Dei uma purpurinada aqui, uma retocada ali e ficou assim. Gostamos. Esperamos que as pessoas gostem também. Simplesmente não podia ser outro. Ela é a inspiração, eu dou as ideias, a gente decide e faz junto, tudo a quatro mãos.

Nascemos assim.


Gigi - que ama a Maria (assim que ela gosta).

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O que importa


Imagem: Pinterest

Demos de cara com esse manifesto no Facebook. Achamos que traduzia nossos sentimentos de hoje melhor do que qualquer palavra que pudéssemos escrever.



"Não quero cair na rotina.


Não quero ser escravizado por máquinas, burocracias, tédio e feiura.

Não quero me tornar um imbecil, um robô, um peão.
Não quero me tornar fragmento de pessoa.
Quero fazer o meu próprio trabalho.
Quero viver com (relativa) simplicidade.
Quero lidar com pessoas, não com máscaras.
As pessoas importam. A natureza importa. A beleza importa.
A inteireza importa.
Quero ser capaz de me importar."

E. F Shumacher



É isso.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Dia 1

Segunda-feira. O dia oficial em quase todo o mundo para se dar início às coisas. Quaisquer coisas. Uma dieta (na maioria das vezes), uma atividade física, um projeto, a leitura de um livro novo. Talvez a busca por um outro emprego, um curso ou até o abandono de uma prática não saudável.
A primeira segunda-feira do ano, então, seria aquela data chave, aquele "agora ou nunca", o momento ideal para o primeiro passo rumo a mudança, ao novo e desconhecido.
"Espere um pouco" - você deve estar pensando - "mas hoje é terça!"
Pois é. Não temos o costume de fazer coisas porque nos dizem que devemos fazê-las em tal dia ou hora. Na verdade, não temos muito apreço por datas e convenções; algumas consideramos válidas por questões de memória, outras dispensamos. Aliás, pensamos que a vida segue melhor um dia após o outro, sem números, nascida de manhã e descansando ao entardecer. E como o hoje ainda está na ativa, está feita a primeira postagem.